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Apenas a união do cidadão, Estado e Prefeituras salvará o Tietê – PORTAL DO SANEAMENTO

(*) Por Édison Carlos

Desde os anos 20, há relatos de debates sobre lançamentos de resíduos no Rio Tietê. Hoje o rio é fruto de um descaso histórico, mas não cabe mais lamentar. As manifestações populares sequer tangenciaram o tema ambiental, muito menos a situação dos rios, mas ainda está em tempo do cidadão fazer a sua parte, sendo mais consciente quanto ao destino de seus resíduos e fazendo pressão nas autoridades.

Como nos principais rios do país, a poluição do Tietê é fruto da falta de planejamento para a ocupação do solo nas grandes cidades. No passado, os rios foram considerados um obstáculo ao desenvolvimento urbano, então foram realizados modificações para “desaparecer” com os rios pequenos e “esticar” os grandes em prol da valorização imobiliária e da pseudo-mobilidade. Não se cuidou dos rios e nem houve o mínimo planejamento sanitário para suportar a migração em massa das pessoas das áreas rurais e de outras regiões do país para as metrópoles, sobretudo na Grande São Paulo.

A velocidade da construção civil sempre foi muito superior à capacidade do estado e dos municípios de construir a infraestrutura básica para receber estas pessoas, nem ao menos as redes de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos. E tudo isso foi impactando mortalmente os rios. No país podem ser citados vários casos, como nos rios Ipojuca e Capiberibe em PE, no Iguaçu no PR, no Rio Doce entre o ES e MG, nos rios dos Sinos e Gravataí no RS, entre vários outros. Na Grande São Paulo, os maiores problemas podem ser vistos nos córregos e no Tamanduateí, Pinheiros e Tietê.

É certo que grande parte da poluição do Rio Tietê ainda vem da chamada “poluição difusa”, ou seja, de resíduos de todos os tipos lançados pela população e das áreas da cidade onde a coleta do lixo doméstico deixa a desejar. Mas está provado, no entanto, que nada impacta mais o rio do que o lançamento indiscriminado dos esgotos. Grandes municípios da região metropolitana de São Paulo ainda tratam muito pouco seus esgotos, que tem no Tietê seu destino. Cidades como Itaquaquecetuba e Mauá ainda tratam menos de 10% de seus esgotos. Guarulhos, Diadema, Osasco, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Carapicuiba, menos de 30%. São Paulo, Suzano e Santo André, por exemplo, ainda necessitam tratar metade desses resíduos.

Mesmo os grandes investimentos do Governo do Estado nos últimos anos, através do Projeto Tietê, não foram suficientes até agora, pois temos que pensar em solução por bacia hidrográfica, envolvendo todas as cidades. Não adianta os indicadores de saneamento básico melhorarem em algumas cidades se os das cidades vizinhas não acompanharem. Também temos que pensar em como solucionar a questão das áreas irregulares, das invasões das áreas de mananciais. São milhares de pessoas que, por morar nestas áreas, estão fora das estatísticas oficiais do atendimento em saneamento. Independente da questão legal, estas pessoas têm acesso à água e geram esgotos.

A despoluição do Tietê necessita de um pacto pelo saneamento básico - urgente e envolvendo população, Governo do Estado e todos os prefeitos das cidades da Bacia do Alto Tietê. É preciso que todos trabalhem juntos. A solução do problema é técnica, mas somente ocorrerá se houver um grande arranjo político. Não será a ideologia partidária que conseguirá a limpar o Tietê. A seriedade, a eficiência e a tecnologia, sim.

(*) Édison Carlos é presidente executivo do Instituto Trata Brasil

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