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Editorial - Saneamento jogado para o escanteio

Editorial - Saneamento jogado para o escanteio

O Estado -
03/06/2014

Uma projeção do Fórum de Sustentabilidade aponta a real situação do saneamento básico no Brasil. Segundo o levantamento, a do setor no País é caótica, e, se os investimentos continuarem no ritmo atual, demoraremos mais meio século - isso mesmo, caro leitor, 50 anos - para universalizarmos o saneamento básico. Trata-se de uma verdadeira vergonha nacional.

Em 2014, a projeção é que se invista R$ 10,7 bilhões em projetos de saneamento básico e abastecimento de água. No ano passado, foram investidos R$ 10,3 bilhões, o que significa menos de 0,2% do Produto Interno Bruto. Atualmente, nada menos do que 51,3% do Brasil não tem sistema de esgoto. O Fórum também revelou uma questão interessante: ainda que se dobrem os investimentos, a universalidade do saneamento não chegaria antes de 2033, data fixada pelo Plano Nacional de Saneamento Básico. Todavia, mais do que aumentar o volume dos investimentos, é preciso incrementar a produtividade dos projetos de saneamento. Sem projetos bem formulados, ainda que haja recursos para se investir na área, o saneamento não avança - e quando avança, o faz de maneira insatisfatória, com serviços ruins.

De fato, das 100 maiores cidades brasileiras, 64 possuem menos de 80% de seu esgoto coletado, destas, 47 têm um índice menor do que 60%. Estados como Pará, Piauí e Rondônia, por exemplo, tem menos de 10% de seus municípios com esgoto coletado. Trata-se de um atraso absolutamente injustificável diante das pretensões de uma nação que almeja um lugar ao sol entre as grandes potências mundiais.

Há dados ainda mais graves: dos 100 maiores municípios brasileiros, 78 não possuem seus esgotos tratados. Nenhuma cidade brasileira possui mais do que 95% do esgoto tratado. É preciso mudar esse jogo, afinal, saneamento é uma dos quesitos básicos para a saúde de um povo.

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